Sindicatos da PRF e PF em Pernambuco querem mais vagas em concursos

O anúncio de concurso público para contratação de 500 policiais rodoviários federais e 500 policiais federais, feito pelo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, não causou euforia entre os representantes das categorias em Pernambuco. Sindicalistas dos dois órgãos classificam o número como insuficiente diante do atual efetivo dessas polícias e defendem uma reestruturação mais ampla.

Conforme o vice-presidente do Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais (Sinprf-PE), Tiago Arruda, há 399 profissionais em atividade no Estado, 31 já em condições de se aposentar. “Deveríamos ter uma média de 20 por cada posto, já que trabalhamos ininterruptamente”, observa. Para chegar aos 460 e cobrir os aposentados seriam necessários 92 policiais.

“Dos 23 postos de fiscalização da PRF em Pernambuco, só 12 estão em pleno funcionamento, outros sete foram fechados e quatro estão operando só no papel, na prática só abrem de vez em quando, tudo por falta de efetivo”, afirma. “Metade dos que funcionam têm apenas dois policiais trabalhando, ou seja, só se deslocam em casos de extrema urgência, pois precisam abandonar o posto. Se acontecerem três acidentes de uma vez no Grande Recife, só temos duas equipes, um terá de ficar esperando”.

Tiago lembra que são 2,3 mil quilômetros de rodovias para fiscalizar, fora os seis quilômetros em Fernando de Noronha. “Hoje temos menos pessoal do que em 1994, quando havia 559 policiais. E como a profissão é de âmbito nacional, todo mês 15 policiais são deslocados para uma operação no Rio de Janeiro”, observa.

MAIS DE TRÊS MIL VAGAS
O déficit, segundo ele, é em todo o País. “Há um acórdão no TCU de 2006 dizendo que deveríamos ter 18 mil policiais rodoviários. Hoje temos 13.092 cargos e cerca de três mil deles vagos, além de uns 800 em condições de se aposentar. Ou seja, esse concurso não dá para nada”, lamenta. Ele salienta que pode até não haver vagas para Pernambuco. “Os de 2002, 2004 e 2009 não previam, apenas o de 2011, com seis vagas, que depois passaram para 12”.

O sindicalista diz que a ideia de remunerar os policiais para trabalharem na hora de folga, citada pelo ministro, já vem sendo discutida e pode ser boa, se for para reforçar o efetivo em eventos como Semana Santa e Carnaval, já que a categoria (que trabalha em escala de 24 x 72 horas) não recebe hora extra. “O que a gente não concorda é que se torne algo ordinário, para cobrir o buraco”.

ALERTA BRASIL
Sobre a ampliação de postos de vídeomonitoramento, ele diz que é necessária. “O programa Alerta Brasil ainda não chegou por aqui. O sistema usa a inteligência artificial. Quando você joga nele as características de algum veículo suspeito as câmaras fazem uma perseguição virtual. Mas não adianta se não tiver gente para abordar. Esperamos ter um tratamento compatível com nossa condição de polícia ostensiva, no atual ministério”.

Os resultados obtidos nas ruas mostram que a demanda é grande. Segundo a assessoria do órgão no Estado, em 2017 foram vistoriados 227,8 mil veículos e recuperados 276 mil; emitidas 143,1 mil autuações de trânsito; apreendidas 42 armas, 807 munições e 1,1 milhão de maços de cigarro; além de presas 403 pessoas, entre outras ações.

POLÍCIA FEDERAL
O presidente do Sindicato dos Policiais Federais em Pernambuco (Sinpef-PE), Luís Sérgio Pedrosa, não só considera a contratação de 500 profissionais da classe insuficiente para o País, como não demonstra muito otimismo com melhorias. “Nós temos um contingente muito aquém do necessário para exercer todas as atividades de nossa competência, certamente esse número será absorvido por outros estados. Estamos apreensivos”, declara.

“Hoje temos cerca de 320 policiais federais em Pernambuco e seria necessário um incremento de 50% inicialmente para darmos conta de tudo. Essa reposição precisa virar rotina e a PF tem de ter uma reestruturação de carreiras e atribuições, além de capacitação constante e melhorias nos equipamentos”, defende Luís Sérgio. “Essa questão de trabalhar nos horários de folga é um analgésico, não resolve. Há muitos profissionais se aposentando, temos setores onde a média é de pessoas com 53 anos”.

O sindicalista destaca que a PF ainda corre o risco de retroceder. “Desde 1996 é exigido nível superior para entrar no órgão e estão estudando reduzir para o nível médio, é um retrocesso”, diz. “O tempo do ministério é curto e não creio que haja tempo hábil para mudanças de efeito, mas tomara que saia a reforma necessária”. (JC)

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