Polícia Federal prende dez investigados pela Operação Torrentes, nessa segunda-feira

Oito mandados de prisão preventiva e dois de prisão domiciliar foram cumpridos nesta terça (21), durante desdobramento da operação. Segundo a PF, solicitação do Ministério Público Federal foi feita ‘mediante novos fatos surgidos dentro da investigação’.

A  Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta terça-feira (21), oito mandados de prisão preventiva e dois mandados de prisão domiciliar pela Operação Torrentes, deflagrada no dia 9 de novembro para investigar irregularidades em projetos de reestruturação de cidades da Zona da Mata Sul de Pernambuco atingidas por enchentes em 2010 e em 2017. As prisões foram solicitadas pelo Ministério Público Federal em Pernambuco (MPF-PE).

Segundo a Polícia Federal, a solicitação foi feita “mediante novos fatos surgidos dentro da investigação, o que ensejou convencimento por parte da Justiça para decretação das prisões”. Ao todo, foram emitidos 11 mandados de prisão, sendo dois de prisão domiciliar, ambos cumpridos, e nove de prisão preventiva, dos quais oito foram cumpridos. De acordo com a PF, Daniel Pereira da Costa Lucas não foi encontrado.

Entre os presos preventivamente, estão seis pessoas que haviam sido presas pela Polícia Federal no dia 9 de novembro e foram liberadas pela Justiça Federal em 14 de novembro. São eles: Heverton Soares da Silva, João Henrique dos Santos, Rafaela Carrazzone da Cruz Gouveia Padilha, Ricardo Henrique Reis dos Santos, Ricardo José de Padilha Carício e Taciana Santos Costa. O sétimo preso, Ítalo Henrique Silva Jaques, tinha se apresentado à PF em 10 de novembro e também foi solto após o término do prazo da preventiva.

O oitavo preso foi identificado como Emanoel Feliciano Ribeiro, que não aparece no rol de prisões realizadas em 9 de novembro. Dois dos quatro oficiais da Polícia Militar presos anteriormente pela mesma operaçãoreceberam novamente mandados de prisão domiciliar: o coronel Fábio de Alcântara Rosendo e o tenente-coronel Laurinaldo Félix do Nascimento.

De acordo com a PF, os oficiais foram obrigados a entregar seus passaportes e foram afastados de suas funções públicas. Há possiblidade de pagamento de fiança, de valor a ser informado pela Justiça. Os presos serão encaminhados a audiências de custódia.

O G1 entrou em contato com o MPF-PE, autor da solicitação das prisões, e aguarda resposta do órgão. A reportagem também entrou em contato com a Justiça Federal de Pernambuco (JFPE) para apurar o resultados das audiências de custódia, mas a assessoria de imprensa do órgão informou que o processo corre em sigilo de Justiça.

Procurado pelo G1, o advogado Ademar Rigueira, que representa Ricardo José de Padilha Carício, Rafaela Carrazzone da Cruz Gouveia Padilha, Taciana Santos Costa, Ricardo Henrique Reis dos Santos e João Henrique dos Santos, não atendeu às ligações. A reportagem também segue tentando contato com as demais defesas dos presos.

Entenda o caso

A Operação Torrentes surgiu a partir de denúncias anônimas envidas à Controladoria Geral da União em Pernambuco, no ano passado. Os contratos investigados totalizam R$ 450 milhões para compra de comida, colchões, filtros de água e lonas de proteção para os desabrigados. Segundo a PF, a fraude no valor de contratos para reestruturação de municípios da Mata Sul de Pernambuco após as enchentes de 2010 e deste ano pode chegar até a 30%. Segundo os investigadores, foi verificado ainda um conluio entre quatro grupos de empresas para que se conseguisse as licitações durante os períodos emergenciais.

De acordo com a PF, a 36ª Vara Federal expediu 71 mandados judiciais, sendo 36 de busca e apreensão, 15 de prisão temporária e 20 de condução coercitiva. Também houve uma condução coercitiva no Pará. No dia 9 de novembro, 260 agentes da PF, de 10 estados, realizaram buscas nos prédios da Casa Militar do governo pernambucano, onde atuavam os PMs detidos, e da Vice-Governadoria, no Recife. Houve operação também no Centro de Abastecimento de Pernambuco (Ceasa), Coordenadoria de Defesa Civil (Codecipe), bem como em imóveis no Recife e em Olinda. Seis veículos de luxo, de várias marcas, foram apreendidos pelos policiais federais durante a operação.

Todos os mandados foram cumpridos, com exceção de um de prisão de temporária: o de Ítalo Henrique Silva Jaques, que apresentou à polícia em 10 de novembro. No dia anterior, tinham sido presos: o coronel da PM Fábio de Alcântara Rosendo, o tenente-coronel da PM Laurinaldo Félix do Nascimento, o coronel da PM Roberto Gomes de Melo Filho, o coronel aposentado da PM Waldemir José Vasconcelos de Araújo, além de Antonio Manoel de Andrade Junior, Antonio Trajano da Rocha Neto, Daniel Pereira da Costa Lucas, Heverton Soares da Silva, João Henrique dos Santos, Rafaela Carrazzone da Cruz Gouveia Padilha, Ricardo Henrique Reis dos Santos, Ricardo José de Padilha Carício, Roseane Santos de Andrade e Taciana Santos Costa.

Nessa lista, estão dois empresários suspeitos da prática de irregularidades ao fornecer mantimentos para os flagelados, mediantes contratos fraudulentos: Antonio Manoel de Andrade Junior e Ricardo José de Padilha Carício, que tinha sido preso em outubro deste ano, durante a Operação Mata Norte, que investigou fraudes em licitações de merenda escolar em cidades dessa região pernambucana.

Após audiência de custódia, os homens seguiram para o Centro de Observação e Triagem Professor Everaldo Luna (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife, e as mulheres foram levadas para a Colônia Penal Feminina do Recife, na Zona Oeste da capital pernambucana. Também depois da audiência de custódia, os coronéis Fábio de Alcântara Rosendo e Roberto Gomes de Melo Filho, além do coronel aposentado Waldemir José Vasconcelos de Araújo, seguiram para a Academia da Polícia Militar, em Paudalho, em cumprimento à ordem de prisão temporária pelo prazo de 5 dias.

O tenente-coronel Laurinaldo Félix do Nascimento foi monitorado por tornozeleira eletrônica “em razão da necessidade de submissão a procedimento médico em hospital particular, previamente marcado”, segundo nota da Justiça Federal em Pernambuco. Durante uma aula inaugural do curso de formação e habilitação do Corpo de Bombeiros, em 13 de novembro, o governador de Pernambuco, Paulo Camara, evitou falar sobre punição para os policiais militares presos na Operação Torrentes.

Todos os 15 presos foram soltos no dia 14 de novembro, com exceção de Waldemir José Vasconcelos de Araújo, que havia sido liberado após ter o habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) no dia 11 de novembro.
Veja a lista de mandados de prisão cumpridos no desdobramento da Operação Torrentes:

Preventiva:

Emanoel Feliciano Ribeiro
Heverton Soares da Silva
Ítalo Henrique Silva Jaques
João Henrique dos Santos
Rafaela Carrazzone da Cruz Gouveia Padilha
Ricardo Henrique Reis dos Santos
Ricardo José de Padilha Carício
Taciana Santos Costa
Domiciliar:

Coronel da PM Fábio de Alcântara Rosendo
Tenente-coronel Laurinaldo Félix do Nascimento