Os dois governadores do sertão de Pernambuco foram biônicos

Pré-candidatos do Sertão ao Governo do Estado: Fernando Bezerra, Júlio Lóssio e Odacy Amorim. Foto: Reprodução.

Coluna Pega-Fogo, com Robério Sá – 18 de dezembro 

Os postulantes ao cargo de Governador do Estado de Pernambuco em 2018 querem ascender à majoritária saindo do sertão para a capital. Terminando o ano de 2017, três políticos da região do São Francisco tentam despontar ao Palácio do Campo das Princesas, são eles: Fernando Bezerra Coelho (PMDB), Júlio Lóssio (Sem Partido) e Odacy Amorim (PT).

Os três postulantes, praticamente, não possuem chance de vencer as eleições do próximo ano, caso a história política de Pernambuco continue a mesma. As únicas vezes que o interior teve um político assumindo o Governo do Estado foi através do famoso golpe ou o famoso “biônico” – cargos biônicos, aqueles cujos titulares foram investidos mediante ausência de sufrágio universal e cujo parâmetro para escolha era a sanção das autoridades de Brasília, à época do Regime Militar de 1964 e nas décadas de 1960, 1970 e 1980, ou seja sem o aval das urnas.

O primeiro político do interior a chegar ao cargo de governador do estado foi Agamenon Magalhães, após o Golpe 1937, quando foi instaurado o Estado Novo, em 10 de novembro, mantendo Getúlio Vargas, através da governança ditatorial à frente do país.

Naquela época, Agamenon tinha muito prestígio político e profissional e, por isso, foi escolhido para tornar-se o interventor federal no estado de Pernambuco, em substituição ao governador Carlos de Lima Cavalcanti, assumindo, assim, o Governo do Estado, por meio do cargo biônico.

O outro político do interior foi Nilo Coelho, que entre 1952 e 1954 foi nomeado Secretário da Fazendo do Estado e, em seguida, instituído governador biônico de Pernambuco, pelo presidente Castelo Branco, para o quadriênio de 1967 a 1971.

O levantamento histórico mostra, claramente, que os representantes políticos do sertão do São Francisco não possuem chance de vencer um possível pleito contra as forças da Região Metropolitana do Recife, a citar: Paulo Câmara (PSB), Armando Monteiro (PTB) e Marília Arraes (PT). Nas eleições, a Região Metropolitana do Recife é fundamental para a vitória política de qualquer candidato, tendo em vista que é onde se concentra a maior intenção de votos.

Enquanto os pré-candidatos ao Governo do Estado patinam para conseguir os votos dos 190 mil eleitores de Petrolina, o governador Paulo Câmara, senador Armando Monteiro e a vereadora Marília Arraes tentam se fortalecer no Recife, Jaboatão, Olinda, Cabo de Santo Agostinho e região – onde estão os maiores colégios eleitorais do estado.

Por estes motivos, Fernando, Odacy e Lóssio nadam contra a maré, conforme aferiu o Instituto Múltipla de Arcoverde mostrando Paulo Câmara com 18,7 % dos votos, seguido de Armando Monteiro com 13,5%, Mendonça Filho com 10%% e, por fim, Marília Arraes com 10% dos votos, caracterizando um “barramento” da Região Metropolitana do Recife, visto que Fernando Bezerra Coelho pontuou com 2,8%, devido à falta de votos na capital.

Essa pesquisa divulgada fortalece os precedentes apontados na coluna Pega-Fogo desta segunda-feira, dia 18, que, ainda, mostra rejeição de Fernando Bezerra em 27%, seguido por Bruno Araújo com 26%, Armando Monteiro com 24%, Paulo Câmara com 20%, Mendonça Filho com 20% e Marília Arraes com 18%.

Se não for pelo cargo biônico, os candidatos do Sertão, ao Palácio do Campo das Princesas, apenas, irão patinar e nadar contra a maré, pois a história não deixa dúvidas, que pra ascender ao posto principal do estado – do interior para a capital – é, praticamente, impossível mediante a história política de Pernambuco.

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