O brejo é líder na produção de banana no território do Sertão do Pajeú

Produção de Banana no Sertão do Pajeú. Foto: Reprodução.

Por João Paulo Ferraz 

A banana (Musa spp.) é uma fruta natural do sudeste asiático cultivada pelo homem há mais de 4 000 anos. Embora não sendo originária das terras brasileiras, duas variedades primitivas da banana já se encontravam no Brasil, na época do descobrimento. Eram consumidas pelos índios Guaranis que a chamavam de “pacoba”. É de origem indígena, portanto, o nome de uma das variedades mais conhecidas: pacovã ou pacova.

A planta da Família Musaceae apresenta um pseudocaule (falso caule) que se sustenta noutro subterrâneo do tipo rizoma. O ciclo de vida de uma bananeira é de até quinze anos, sendo que cada pseudocaule, ao produzir um cacho da fruta que pode pesar até 30 kg a depender da variedade, morre em seguida, dando espaço para os rizomas mais novos continuarem a produção.

No que diz respeito aos atributos nutricionais da fruta, ela é um verdadeiro tesouro gastronômico, rico em potássio, vitaminas A e C, além de fibras e outros componentes importantes para o correto funcionamento do sistema digestivo. Além disso, ela tem uso medicinal, indicada para controle de câimbras, cansaço físico e fraqueza generalizada.

A cultura da banana é bastante exigente em água e demanda solos de textura mediana com certa tolerância ao terreno encharcado. É necessária a correção do solo e a adubação correta, observando doses de cada macro e micronutriente requisitado pela espécie. Além disso, o controle de doenças fúngicas e fitoviróticas deve fazer parte das boas práticas de condução dos bananais.

O microclima do Brejo do Sertão do Pajeú (PE) é propício ao cultivo de diversas variedades da fruta. O produto é um dos mais procurados em feiras livres e quitandas da região. Tradicionalmente, o setor sudeste do município de Triunfo, mais especificamente nas comunidades dos sítios Pará, Serrinha, Santa Rosa, Brocotó, Lage, Santo Antônio de Lage, já possui uma ampla trajetória na produção e comercialização da banana.

Um retrato dessa produção tão ampla pode ser observado nas rodovias que cortam a região serrana do Município, sempre ladeadas por bananais das variedades pacovã, nanica, casca-verde, caxiana, prata, maçã, vinho, pão e outras, desenvolvendo-se em sistemas de sequeiro e irrigado. O mercado regional absorve satisfatoriamente essa produção, sendo que o excedente é vendido para mercados vizinhos do território dos sertões do Moxotó e Central. A banana produzida no Brejo ainda é comercializada em cidades paraibanas, como Princesa Isabel, Manaíra, Santana de Mangueira e outras do Sertão do Piancó-PB.

Outra região promissora no cultivo da banana é o noroeste triunfense, na Comunidade Santo Antônio das Bananas. Lá a cultura está atrelada à esmagadora maioria das famílias que trabalham na subsistência. A produção daquela localidade é comercializada nas feiras livres de Triunfo, Santa Cruz da Baixa Verde e Calumbi principalmente.

Recentemente, outras comunidades triunfenses vêm se destacando na produção comercial de banana. Nesse contexto surgem os sítios Icó de Cima, com plantações totalmente tecnificadas (adubação, controle de fitopatógenos, tratos culturais, irrigação adequada, entre outros) e o Brejinho da Barragem, comunidade há 3 km da cidade, que tem escoamento da safra facilitado.

Convém dizer, que quase 100% das comunidades brejeiras produzem banana para consumo das famílias. Aqui, porém, foi dado destaque àquelas que produzem em larga escala com destino à comercialização, seja nas feiras, nos supermercados ou “verdurões” da região.

Os bananicultores triunfenses enfrentam como muitos outros de diferentes regiões, alguns gargalos na produção. Dentre eles convém citar a precária rede viária do município que prejudica o translado do produto do campo até os centros de comercialização, além da inexistente assessoria técnica e falta de incentivo à produção.

É interessante frisar, que a fruta possui um potencial gigantesco no que tange a sua comercialização, já que é um produto amplamente consumido e de relativa facilidade nos tratos culturais, na colheita e na venda. Outro aspecto agrícola que favorece o cultivo em Triunfo e região é o clima diferenciado, com uma precipitação pluviométrica superior aos demais municípios do Semiárido.

Assim tem-se que: o solo e o clima do Brejo facilitam o desenvolvimento da planta e, por sua vez, o mercado regional sempre aquecido para o produto garante a permanência da fruta por muito mais tempo na realidade agrária local. Esse conjunto de informações, propicia aos empreendedores um campo excelente para a tecnificação da produção e o comércio em larga escala, caracterizando assim, uma possível oportunidade, não só para os pequenos produtores, mas também para os grupos do agronegócio do Nordeste que podem investir no Oásis do Sertão.

*Eng. Agrônomo e Assessor de Projetos. Colunista agrícola do Blog do Robério Sá.

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