No desfile de 40 anos, Galo da Madrugada atrai multidão ao centro do Recife

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No desfile de 40 anos, Galo da Madrugada foi do tecnobrega à MPB, sem esquecer do bom e velho frevo.

De crianças a idosos, o Galo da Madrugada mostrou no 40º aniversário que o maior bloco do mundo é para todas as idades, todos os públicos e todas as formas de celebrar o Carnaval. Do tecnobrega de Gaby Amarantos à MPB de Vanessa da Mata, houve espaço para todos os ritmos. Mas foi o frevo que dominou a folia de 30 trios elétricos e arrastou uma multidão às ruas do Recife. Gente que fez valer o espírito dos 70 mascarados que saíram pelo bairro de São José em 1978. Este ano, a majestade foliã abriu espaço para um desfile de fantasias que vão do glitter e unicórnio às críticas do ano político. Mais de 5 mil policiais e bombeiros atuaram na segurança do desfile que só volta em 2019. Mas o Carnaval continua, com o Galo reinando sobre os foliões do Recife.

No ano eleitoral, o folião mostrou que o Galo da Madrugada é para brincar o Carnaval, mas também para fazer sátira política e crítica social. Do problema da febre amarela a uma privada em forma de urna, o recifense aproveitou o festejo para passar o seu recado. A multidão que foi às ruas do Recife pareceu ser bem maior que a de 2017.

Folião do Galo desde que o bloco foi fundado, há 40 anos, o aposentado Luiz Gonzaga Lapenda, de 78 anos, se vestiu do presidente Michel Temer de fraldas. “Eu vim atrás de popularidade, já que a minha está tão baixa. Independente do meu estado de saúde, nada melhor do que o Galo para eu aumentar a popularidade. Ninguém agrada a todo mundo. Mas eu tenho feito de tudo para promover as reformas e fazer o Brasil avançar”, brincou.

O artista Marco Antônio, de 40 anos, se vestiu pela oitava vez como a ex-presidente Dilma Rousseff. “Desde que ela se candidatou, sempre vim como ela. Este ano, fiz esta roupa. Quis mostrar um outro lado da Dilma que as pessoas não falam”, explicou.

A Dilma de Marco fez questão de posar para foto com os “juízes” do grupo “Teje Preso… Teje Solto”, que faz seu 35º desfile no Galo. “Nós sempre trazemos como tema uma sátira da política-econômica. Este ano a gente resolveu homenagear o nosso Judiciário que solta todo mundo. A polícia prende e o juiz solta”, contou o professor Luiz Fernando, de 59 anos.

A pedagoga Lucia Pontes, de 72 anos, vai ao Galo desde que o bloco desfilava de madrugada e, em 2018, se vestiu de “Palhaço do Planalto”. “Desde que o Galo tinha três anos que eu comecei a sair nele. O Galo é especial porque mostra a nossa cultura, o frevo e como a festa é diversificada”, conta.

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Galo da Madrugada atrai multidão para o Centro do Recife no Sábado de Zé Pereira.

Fantasias atuais
A historiadora Silvia Couceiro, de 59 anos, e uma amiga foram vestidas “com a macaca” para defender os símios que estão sendo perseguidos por causa dos surtos de febre amarela no País. A engenheira elétrica Gabriela Marques, de 57 anos, e um grupo de colegas de profissão, se vestiram de sol para estimular o uso de energia solar para diversificar a matriz do Nordeste. “A privatização da Eletrobras pode até acontecer, mas o debate precisa ser amadurecido. Tem muitas questões em jogo, como o cuidado com o rio”, sinaliza.

Para representar o Carnaval tradicional, o grupo da servidora pública Ana Catarina de Lucena, de 49 anos, que já desfila há duas décadas, foi caracterizados de Homem da Meia Noite, com dente de ouro e tudo. “Nosso sonho sempre foi homenagear Olinda dentro do Galo da Madrugada. E não há figura mais emblemática do que o Homem da Meia Noite, porque ele encanta todo mundo”, afirmou. (JC)

CARNAVAL 2018 

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