Na luta contra a leucemia, jovem resgata “solidariedade social”, emociona vereadores e reivindica Centro de Oncologia em ST

Jovem Wagner Alexandre, de 17 anos.

Na sessão ordinária dessa segunda-feira, dia 19, a Câmara de Vereadores de Serra Talhada trocou a política pela “solidariedade social” – tese do sociólogo Émile Durkheim –, após a coerção dos ideais do movimento “Oncologia Já” tomar o auditória da Casa das Leis.

No Plenário Manoel Andrelino Nogueira, das muitas vozes que cobram do Governador Paulo Câmara e do Secretário Estadual de Saúde, José Iran Costa, o credenciamento do Centro de Oncologia de Serra Talhada, instalado no Hospital São Francisco, estava o jovem, Wagner Alexandre, de apenas 17 anos, dando um exemplo da diferença entre a “vida política” e a “vida real”.

Diagnosticado há 1 ano e 10 meses com Leucemia Linfoide Aguda (LLA), Alexandre trava uma luta de superação, fazendo um árduo tratamento no Hospital Oswaldo Cruz, em Recife – que dista a 415 Km de Serra Talhada, no sertão pernambucano – através do Grupo de Assistência à Crianças com Câncer (GACC).

De oito em oito dias, Wagner entra em um ônibus do Tratamento Fora de Domicílio (TFD), viaja por longas 6 horas, até chegar a capital pernambucana, onde é consultado e toma medicamentos. Segundo o portador de câncer, o tratamento dura de 2 a 3 anos.

Na tribuna legislativa, o jovem contou à luta que têm travado para conseguir realizar seu tratamento fora de domicilio.  “Nós enfrentamos muitas dificuldades no tratamento do câncer, no entanto, a maior é ter que viajar de oito em oito dias para tomar uma medicação de apenas 3 ml que é muito importante para o tratamento”.

Wagner Alexandre é um dos milhares de serra-talhadenses, que se uniram à “Oncologia Já” para pedir ao Governo do Estado, através da Secretaria de Saúde, a viabilização do serviço de tratamento ao câncer, na capital do xaxado, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Se Serra Talhada tivesse esse Centro de Oncologia facilitaria muito, pois a viagem (para o Recife) é muito cansativa. Nós tomamos medicação, voltamos enjoados, estressados e tudo isso poderia ser amenizado se o município tivesse esse serviço disponibilizado (através da Clínica Oncológica)”, explicou.

Ele, também, revelou que seu pai foi acometido pela mesma doença e não teve condições de se tratar. Alexandre, ainda, emocionou os parlamentares ao afirmar, que estava “lutando porque tinha vontade de viver”.

“Meu pai foi diagnosticado com câncer em estado avançado e não teve condições de fazer seu tratamento, mas estou aqui para lutar pelas pessoas que estão nesse tratamento, porque nós só vamos para esse tratamento porque temos vontade de viver […] eu acho muito desumano”, disse Wanger.

Longe da sala de aula, por causa da doença, o jovem não deixa de acreditar no futuro e na conclusão do nível superior.  “Hoje não estou em uma faculdade porque preciso viajar toda semana e não me dedicaria totalmente a minha faculdade, então, espero terminar meu tratamento – porque a saúde é em primeiro lugar – e depois dou continuidade a minha faculdade”, disse.

Diferente de muitos cidadãos, Alexandre termina seu pronunciamento agradecendo a ajuda de uma funcionária pública do município. “Agradeço a todos, em especial a Tatá que sempre me dá prioridade nos bancos da frente do ônibus, pois chego sempre inchado e a médica fica alertando[…] E, deixo aqui meu apelo para nós lutarmos por esse Centro de Oncologia em Serra Talhada”, concluiu.

Pela tribuna, ainda, passaram o comissário da Polícia Civil, Cornélio Pedro e Ari Amorim, que voltaram a falar da importância do credenciamento do serviço de saúde para os portadores de câncer.

Movimento “Oncologia Já” na Câmara de Vereadores de Serra Talhada.

EMOÇÃO

O vereador Zé Raimundo foi um dos que se emocionou após, o serra-talhadense, Wagner Alexandre, discursar e contar sobre a batalha que trava contra o câncer.

“Mas, ouvir o que esse jovem de 17 anos disse aqui hoje e não se sensibilizar, quando ele diz ‘que a única coisa que quer é continuar lutando pra viver’. E, nós Alexandre e Tatá sabemos do clamor da população”, disse o parlamentar, acrescentado:

“Só quem sabe é quem passa, mas temos que ter uma certeza, que hoje você está passando por isso (Alexandre), amanhã pode ser o próprio secretário de saúde, talvez, ele terá uma condição melhor de saúde pela importância política. Entretanto, o que você fez hoje aqui é muito mais importante do que ele (Iran Costa), que está com o poder da caneta e não faz”, disse.

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