Michelle Collins (PP) pode assumir secretaria no Governo de Paulo Câmara

Michelle Collins pode assumir Secretaria do Governo, nesta sexta-feira.

Do Leia Já – O assunto do dia nos corredores da Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude é o de que, amanhã, o Governador Paulo Câmara (PSB) deverá nomear a vereadora Michelle Collins (PP) para o posto máximo da pasta. Especula-se que a queda do secretário Roberto Franca esteja relacionada à uma tentativa do governador de alojar o PP, que vem intensificando, nos últimos meses, sua cobrança por maior participação no Governo do Estado.

“Na tarde da última terça-feira, houve uma reunião interna da Secretaria convocada por uma das gerentes da assistência social, que num tom muito sutil, mencionou uma possível posse de um membro da família Collins. Desde então, o nome que circula é o de Michelle”, afirma um servidor que prefere não se identificar. Outros servidores consideram que o objetivo do Governador Paulo Câmara é o de buscar “apoio para sua reeleição”. Michelle Collins foi a vereadora mais votada na eleição municipal do Recife do ano passado, com um total de 15.357 votos, conquistados com forte apoio das igrejas evangélicas da cidade.

Após o vazamento da informação, os movimentos sociais ligados à assistência já organizam a leitura de uma carta contrária à posse da vereadora. “Apresentaremos essa manifestação amanhã, às 9 horas, na Comissão Intergestores Bipartite (CIB), a ser realizada no prédio da Vice-Governadoria, mais precisamente na Secretaria Executiva de Assistência Social”, confirma Márlon Aragão, membro do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente.

De acordo com Márlon, até então, os secretários não têm conhecimento da mobilização, uma iniciativa dos próprios assistentes sociais do estado. “Não somos partidários, mas havia um trabalho em construção com o secretário Roberto Franca e essa nomeação vem para atrapalhar tudo. Não aceitamos esse retrocesso”, comenta. Para Márlon, a agenda e os pronunciamentos públicos da vereadora Michelle Collins vão de encontro à metodologia de trabalho da atividade da assistência social. “É um perfil fundamentalista. Michelle prega uma lógica assistencialista, ao invés de uma política de assistência, garantidora de direitos e empoderamento para mulheres, pessoas LGBT e adeptos de religiões de origem africana”, completa.