Lula chega à carceragem da PF de Curitiba para cumprir pena

Lula teve dificuldades para sair do prédio do Sindicato dos Metalúrgicos.

Mais de 48 horas depois da ordem de prisão expedida pelo juiz Sergio Moro – tempo em que se manteve entrincheirado no Sindicato dos Metalúrgicos – o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a pé o prédio, em São Bernardo do Campo, cercado por apoiadores e se entregou à Polícia Federal. O ex-líder sindical que despontou na ditadura, governou o País duas vezes, atravessou o escândalo do mensalão e foi condenado, este ano, na Operação Lava Jato, tornou-se o primeiro ex-presidente a ser preso por corrupção. Lula desembarcou no aeroporto Afonso Pena, em Curitiba, às 22h, de onde seguiu para a carceragem da PF para iniciar o cumprimento da pena de 12 anos e um mês. Na carceragem da PF ele chegou às 22h30.

A prisão ocorreu quando o petista entrou num veículo que o levaria para o aeroporto de Congonhas, de onde partiria para Curitiba. Lula foi condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá (SP).

Sergio Moro determinou que ele se entregasse até as 17h da última sexta-feira, prazo descumprido pelo petista, que ocupou a sede do sindicato, seu berço político, desde quinta-feira (5). Lula anunciou em um discurso ora emocionado, ora indignado, na tarde deste sábado, que se entregaria. Eram 16h57, quando Lula saiu por uma escada alternativa na garagem do sindicato.

NÃO SAIU

Cercado por seguranças e vestindo um terno cinza, ele acenou para os seus apoiadores e entrou num Corolla prata da direção do PT. Os manifestantes cercaram o veículo. Diante do impasse, o líder petista acabou descendo do carro e voltando para o prédio do sindicato pela mesma escada. Antes de entrar na escada, acenou e sorriu. Os outros dois portões da garagem também haviam sido trancados pelos apoiadores.

A presidente do partido, Gleisi Hoffmann, subiu no carro de som e informou à militância que uma resistência teria consequência jurídica para o petista, mas que deixou a eles a responsabilidade de seguir ou não com o ato. Líderes do PT chegaram a colocar em votação qual deveria ser a atitude do grupo em relação à saída de Lula. Logo depois, no entanto, o ex-presidente deixou o local caminhando entre os militantes para, então, subir no carro da polícia.

Gleisi desceu em seguida e fez um apelo dramático aos petistas para que deixassem Lula se apresentar. O temor era que o Moro decretasse uma prisão preventiva, o que faria o líder petista permanecer preso mesmo que, nas próximas semanas, o Supremo Tribunal Federal (STF) reveja a decisão de início do cumprimento da pena após julgamento em segunda instância.

Gleisi disse que a “consequência jurídica” de Lula não se entregar “poderia ser grave”. “Moro mandou avisar que se não tivesse processo, ia decretar a preventiva. Isso significa não ter habeas corpus. Ficaríamos juridicamente impedidos de tentar. A polícia pode vir aqui dar paulada na gente”, disse a presidente do PT.

SE ENTREGOU

Lula deixou o local caminhando e se entregou aos agentes da PF e entrou no carro da polícia. Passou por exame de corpo de delito no serviço médico da Superintendência de São Paulo, no 10º andar. De lá, partiu em helicóptero do governo estadual ao aeroporto de Congonhas, onde um monomotor da corporação o esperava. Às 20h46, o avião decolou para a terra da Lava Jato.

Quando a prisão foi anunciada na TV, fogos de artifício e panelaços foram registrados em capitais como Rio e São Paulo. Em Curitiba, Lula passou a noite na cela especial que lhe foi reservada na sede da PF. O ex-presidente ficará preso sozinho num espaço de 15 metros quadrados, com TV, banho quente, geladeira, micro-ondas.

O PT fez das horas anteriores à prisão de Lula um ato político de desagravo ao ex-presidente. O ato terminou com um discurso do petista de 55 minutos. Ao deixar o carro de som, Lula foi carregado nos braços do público de volta ao sindicato e conseguiu assim produzir uma das imagens que desejava para marcar a sua prisão.

Ao longo do sábado, petistas disseram que tentarão manter nas ruas a pressão para que o Supremo reverta a decisão de Moro. O partido deverá fazer uma reunião em Curitiba amanhã para decidir o que fará. O partido mantinha em Lula a principal aposta para a candidatura à presidência. A condenação, no entanto, o torna ficha-suja.

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