Coluna Pega-Fogo: Paulo Câmara e a política do revanchismo no carnaval

Revanchismo de Paulo Câmara com Miguel Coelho.

Paulo Câmara e a política do revanchismo no carnaval

Coluna Pega-Fogo – 10 de fevereiro 

O Governador Paulo Câmara (PSB) deu uma demonstração de revanchismo político a população do município de Petrolina, no Sertão do São Francisco, ao decidir não apoiar o carnaval, idealizado pelo prefeito e ex-aliado, Miguel Coelho (PSB).

Em ano de eleição, dificilmente algum governador que pretende tentar a reeleição se envolveria em uma disputa política de “revanchismo”, principalmente quando se trata de apoiar com recursos públicos a festa de carnaval, que movimenta uma grande massa de foliões e ao mesmo tempo de eleitores.

Paulo Câmara recebeu formação política do ex-governador, Eduardo Campos, e foi Secretário de Administração (2007-2010), Secretário de Turismo (2010) e Secretário da Fazenda do Estado (2011-2014), na gestão passada.

Participando, ativamente, da gestão de Campos, Paulo Câmara aprendeu a arte da retaliação “política e do revanchismo”, pois deixou de apoiar o carnaval de Petrolina, neste ano, quando o filho do Senador Fernando Bezerra Coelho promove uma grande festa para todos os cidadãos e turistas.

Apesar de experiente na política, o governador mostra, ainda, ter muito para aprender sobre administração pública – não em questões técnicas – mas, naquilo que tange a repartir os benefícios em prol de todas as cidades, sem considerar as questões políticas, tendo em vista que a política se resolve cumprindo um plano de governo e, certamente, na urna eleitoral, onde o cidadão decide e escolhe o seu futuro.

Apesar do imbróglio, Paulo Câmara não apenas faz a “política do revanchismo”, pelo contrário, utiliza a máquina pública para contratar mais de 600 artistas de palco para animar a folia de cerca de 60 municípios, com um aporte de R$ 14,8 milhões.

E o chefe do executivo estadual deixou a quinta cidade mais importante e populosa de Pernambuco sem receber nenhum investimento.

No meio político, fala-se que o sucessor de Eduardo Campos está, no mínimo, com medo de perder as eleições para os senadores Fernando Bezerra Coelho e Armando Monteiro.

O governador parece tentar descontar o rompimento e o desequilíbrio da Frente Popular de Pernambuco com a saída de Bezerra Coelho e o Ministro de Minas e Energia, Fernando Filho, na população petrolinense, pelo visto. E, o eleitor não tem ficado apático com esse revanchismo; talvez, por isso, o governador tenha terminado o ano de 2017 com 74% de reprovação na capital do sertão.

Nos bastidores, alguns classificam Câmara como “Pato Manco”. Em algum momento, eles acreditam que o governador irá entender que política se faz na urna e administração beneficiando toda a população do estado.

DIVISÃO – O ex-prefeito do Recife, João Paulo (PT), parece que está meio dividido com relação a sua cor política, pois, essa semana defendeu o azul, o amarelo e por último defendeu a bandeira vermelha.

Na capital, muitos estranharam os elogios ao deputado federal Jarbas Vasconcelos (MDB), essa semana. Outros afirmaram ser “perua” essa informação de que ele estaria sendo cotado para vice-governador na chapa de Paulo Câmara. Mas, há quem diga que João Paulo anda traçando é a construção de uma aliança entre PT e PSB para rifar a candidatura de Marília Arraes, sua companheira de legenda.

DUCADO DO SERTÃO – O prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque (PT), talvez, o maior entusiasta e cabo eleitoral da vereadora do Recife e pré-candidata ao governo do estado, Marília Arraes (PT), anda pregando a todo custo a consolidação dessa candidatura própria da legenda.

O petista tem motivos de sobra para querer essa consolidação da candidatura da neta de Miguel Arraes ao Palácio do Campo das Princesas, pois terá a oportunidade de disputar mais uma eleição. Desta vez, como cabo eleitoral contra os seus adversários políticos, Sebastião Oliveira (PR) e Paulo Câmara (PSB). O socialista e o republicano tentaram, de todo jeito, uma aliança com o petista no ano passado, no entanto, nem obtiveram êxito e agora temem que Marília Arraes continue crescendo nas pesquisas eleitorais, principalmente, no interior do estado, com o apoio do “Ducado do Sertão”.

ESTACIONOU – O sucessor de Luciano Bonfim (PR), o prefeito de Triunfo, João Batista, ainda, não conseguiu concluir a reforma e requalificação da Unidade Mista Felinto Wanderley.

Certamente, uma das áreas que a cidade precisa avançar é na saúde pública, principalmente, no atendimento de urgência e emergência. Pelo visto, parece que a obra será mais uma daquelas prioridades que vai se arrastando até o ano eleitoral de 2020.

DUPLA ROXA – O deputado Sebastião Oliveira (PR) até tentou azular Serra Talhada, na última quinta-feira, dia 8, com o “Bloco Azulão”, no entanto, o arrastão não reuniu mais de 600 pessoas e a festa não passou das 4 mil.

No evento, apenas duas pessoas foram privilegiadas e entraram de roxo: Pinheiro do São Miguel e Rosimerio de Cuca, que desembarcaram a pouco tempo do “Bloco do Vermelhão”. Nos bastidores, fala-se que o evento foi para comemorar a chegada dos vereadores a base do auxiliar de Paulo Câmara. Ainda, comenta-se, um tal passaporte de R$ 300 mil rachado.

SEM PALAVRA – O governador Paulo Câmara prometeu a população do município de Santa Filomena, no Sertão do Estado, realizar o asfaltamento da rodovia PE-630, durante as eleições de 2014. No entanto, se passados quatro anos, sequer manutenção a estrada de terra está recebendo.

O membro do Conselho Popular de Petrolina (CPP) e da Comissão Todos Pela PE-630, Rosalvo Antônio (PSOL), cobra uma agenda com o chefe do executivo para que o projeto saia do campo das promessas e se torne realidade. Inclusive, a proposta de asfaltamento já conta com apoio de vários deputados federais, que prometeram alocar emendas para o asfaltamento da rodovia estadual – beneficiando seis cidades do Vale do São Francisco.

PERGUNTA DE FOGO – João Paulo empunhará a bandeira amarela ou vermelha nas eleições?