Cerca de 600 famílias deverão deixar de produzir no Perímetro Irrigado Pontal, em Petrolina

Agricultores permanecem nas áreas do Projeto Pontal em Petrolina. Foto: Reprodução.

Cerca de 600 famílias dos Assentamentos Democracia e Dom Tomás, que ocupam cerca de 400 hectares no Perímetro Irrigado Pontal, em Petrolina, no sertão do São Francisco, devem ser despejados da área em breve.

Desde o ano passado, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Paraíba (Codevasf) lançou dois editais para a venda de 336 lotes do Projeto Público de Irrigação do Pontal. Segundo a Autarquia, o objetivo é implantar projetos empresariais agrícolas, agropecuários e agroindustriais em unidades familiares e unidades empresariais.

Entretanto, famílias de baixa-renda que ocuparam a área para produção agrícola durante os últimos anos, tendo em vista que a pelo menos três décadas a operação se arrasta, agora, podem perder o seu sustento familiar, devido não possuírem recursos financeiros ou programas de financiamento para aquisição das áreas rurais do Projeto Pontal.

O curioso é que as duas licitações lançadas pela Codevasf são na modalidade de concorrência, do tipo maior oferta, parâmetro que não contempla os pequenos agricultores, além de abrir precedentes para grandes empresários adquirirem lotes da área produtiva.

Os pequenos produtores denunciaram no último domingo, dia 25, que o Senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) teria mudado o processo de colonização inicial, que tinha sido planejado pelo ex-deputado Osvaldo Coelho, que previa o beneficiamento das famílias agrícolas e rurais da região.

Recentemente, a Justiça determinou o corte de água e energia, impedindo os agricultores de produzir, e provocando grandes prejuízos para as famílias, que possuem como única fonte de renda a produção agrícola do Projeto Pontal.

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Ainda, no ano passado, o Diretor da Área dos Empreendimentos de Irrigação da Codevasf, Luís Napoleão Casado, afirmou que os dois editais possibilitariam a ocupação de mais de 4,5 mil hectares dentro do conceito de sustentabilidade. “O objetivo do projeto é contribuir para o desenvolvimento da região por meio da agricultura irrigada, proporcionando a geração de emprego e renda, o aumento na oferta de alimentos e, consequentemente, à melhoria de índices socioeconômicos”, disse.

OUTRO LADO

Os agricultores rurais pretendem resistir ao processo de regularização das áreas do Projeto Irrigado do Pontal, haja vista que os parâmetros adotados pela Codevasf apontam desiquilíbrio na aquisição das áreas.

O intuito dos camponeses é encontrar uma solução para equilibrar o processo de regularização junto a Codevasf e Incra para que possam continuar produzindo no Projeto.

O agricultor, Mauricio Marques, do Assentamento Democrático, defendeu a permanência dos produtores rurais na área. “A seca está muito grande e nós precisamos continuar no Projeto Pontal produzindo para tentar colher alguma coisa”, disse.

Segundo o assentado, o Senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) e o Deputado Guilherme Coelho (PSDB), deveriam procurar os produtores para construir uma solução viável.

“Eles deveriam colocar a mão na consciência, nós estamos aqui porque precisamos. Não estamos invadindo as terras […] foram eles que invadiram nossas terras para fazerem reserva de ‘Tatu-Bola’ – que não existe essa caça. E, eles querem pra quê? Não existe área abandonada, todas tem documentação e possuem cerca”, disse.

Enquanto uma solução não é construída, os agricultores permanecem ocupando as terras, e aguardam as autoridades para dialogar.

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